Minha carreira - Primer RH

Vamos falar sobre autoritarismo

28 de agosto de 2017

A Primer recebeu uma contribuição especial de pauta para o Blog. Confira abaixo o texto sobre Autoritarismo que o Mauro Avila nos enviou:

Autoritarismo

Pessoa autoritária é aquela que se impõe pela autoridade e defende a submissão cega. Tal pessoa incita respeito, impõe obediência, é impositiva. Quem age com autoritarismo decide sobre algo que é comum a todos os outros e que se refere às pessoas subordinadas. Mas até que ponto funciona ser autoritário, seja como líder dentro da empresa ou em qualquer outro ambiente ou situação? Por exemplo, uma mãe ou pai autoritários, obterão melhor resultado de seus filhos, se comparado com outros que agem de modo mais liberal? Uma professora dentro da sala de aula, deve sempre usar sua autoridade de modo impositivo, exigindo obediência absoluta?
Aproveitando o exemplo da professora, lembrei de algo que presenciei e que pode ilustrar bem essa questão relacionada ao autoritarismo. Minha professora da primeira série era muito enérgica, mandona, sempre com a cara muito séria. Exercia sua autoridade como professora de modo exemplar, pelo que me lembro e posso agora definir. Certo dia a turma devia estar impossível, pois ela deu um grito e assustou a todos. Quem estava desatento olhou para o quadro, quem estava conversando parou e quem estava quieto deixou de respirar por alguns segundos. Vale lembrar que era uma turma de primeira série, ok. Ela falou mais algumas coisas com voz bem alta e exigiu silêncio absoluto. Alguém pediu para ir ao banheiro alguns minutos depois e ela negou, dizendo que não deixaria ninguém ir ao banheiro. Passados alguns minutos vi que minha coleguinha da frente ficou um pouco inquieta. Logo depois vi que algo estava escorrendo na sua cadeira, molhando o chão. Era o xixi de uma pura e inocente menininha de 6 anos e meio de idade que ficara apavorada com a professor, se viu obrigada a acatar a proibição quanto a ir no banheiro e não aguentou. Muitos colegas que viram começaram a apontar na direção dela e a rir, enquanto ela chorava desesperadamente.
Este fato ilustra bem a questão do autoritarismo, pois nos dá a entender que na maioria das vezes ele é descabido, desproporcional e serve apenas como forma de reafirmar a autoridade. Porém, reafirmando a autoridade por meio de imposições, raramente se granjeia respeito, muito pelo contrário. Na maioria das vezes não funciona muito bem. No caso de líderes pode até ocorrer o inverso do que é esperado, já que liderados seguem seu líder por que valorizam a sua atitude, o admiram e, consequentemente, querem imitá-los por que se sentem motivados. Já o líder excessivamente autoritário gera desconforto e afasta as pessoas. Este princípio aplica-se em todos os campos da vida em que necessita-se de liderança: no trabalho, na família, na igreja, no futebol, no churrasco, etc.
E quais os efeitos de exercer uma liderança baseada no autoritarismo? Os efeitos são variados, podendo ir desde pressão desnecessária na equipe até a possibilidade de causar doenças como distress, podendo esbarrar ainda no assédio moral. Sem contar que a longo prazo o líder que age assim pode estar cavando sua própria “sepultura profissional”, digamos.
Todos nós podemos passar por situações em que seremos líderes ou mentores, seja no ambiente profissional ou na vida pessoal. Pode ser que sejamos pais, tios, avós,  aquele colega mais velho que é tido como referência ou talvez já atuemos como líderes reconhecidos pela empresa, comunidade, etc. De todo o modo, a chave em qualquer que seja a situação é ser equilibrado, buscando formas de manter as linhas de comunicação abertas. A medida que se exerce a autoridade com empatia, dosando o rigor aplicado em cada discurso ou ação, é muito provável que as pessoas irão sentir-se atraídas. Consequentemente, os objetivos, sejam eles quais forem, dentro de cada contexto, serão mais facilmente alcançados.

Mauro Avila

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